A alguns dias atrás, estava conversando com algumas amigas sobre maternidade. Uma de minhas amigas falava que gosta muito de crianças, mas que ainda não consegue se ver como mãe, apesar de seu marido querer muito ter um bebê. Outra falava sobre como foi difícil descobrir que não poderia gerar um filho naturalmente. E enquanto a conversa ocorria, uma pergunta martelava em minha cabeça: “ser mãe, pra que?”.

Eu tenho muita vontade de ser mãe… e planejo fazer isso em um momento mais tranquilo que o atual. Contudo, diversas hitórias que tenho conhecido nos últimos dias têm me feito refletir no “Pra que ser mãe?”.

A questão que quero colocar aqui é a seguinte: muitas mulheres anseiam ter seu bebê, e muitas vezes se concentram muito mais na realização do seu próprio sonho do que em satisfazer as necessidades de um outro ser. Você já parou para pensar sobre isso?

Elas estão preocupadas com seus desejos pessoais, e acabam tratando a maternidade como mais um “artigo de luxo” ou “vaidade pessoal” do que como uma responsabilidade divina.

Estava conversando com meu marido esses dias sobre como alguns candidatos a pais adotivos têm a coragem de pegar uma criança e depois devolvê-la, porque “não deu certo”. Como assim “não deu certo”? Crianças não são roupas que a gente compra e se não couber é só ir à loja trocar. Não é um aparelho que se “não funcionar” é só pegar a nota fiscal e o certificado de garantia e solicitar um novo. Mas muita gente trata as crianças assim. Pensam apenas no seu desejo de ser pai e mãe, e esquecem que é necessário pensar no pequeno ser que necessitará de cuidados, afeto e dedicação.

Mês passado eu estava em um local público, quando passou uma mulher muito bonita, bem arrumada, de salto alto, com um bebê dormindo dentro de um ‘bebê conforto’, e acompanhada de uma amiga. A mulher andava como se estivesse desfilando sobre o salto alto, chamava a atenção de todos com a sua postura, mas chamava muito mais a atenção pela forma como carregava seu bebê. Segurando as alças do ‘bebê conforto’, a mãe carregava o bebê como se fosse uma sacola de compras de supermercado, batendo o tempo inteiro com o ‘bebê conforto’ em sua perna. Todos olhavam a cena, comentavam e ficavam horrorizados com a insensibilidade daquela mulher, que parecia não notar que estava carregando uma criança tão pequena. Temos um ideal de mãe, e é estranho ver uma mãe agindo fora desse ideal.

Julgamentos à parte, esse tipo de situação nos faz questionar o tipo de maternidade que tem se tornado cada vez mais comum em nossos dias. Uma maternidade que ocorre para uma satisfação pessoal, ou para tentar garantir um casamento, em que os interesses dos filhos e suas necessidades ficam sempre em segundo plano.

Dias atrás, li um artigo científico que falava sobre o significado da maternidade para a mulher. De acordo com a pesquisa realizada, felicidade e maternidade são quase que sinônimos para as mulheres, e não ter filhos é sinal de incompletude. Para uma mulher ser feliz, realizada e completa seria preciso ser mãe. Isso demonstra como está fixado em nosso pensamento coletivo uma idéia de maternidade como realização pessoal.

Esse caráter de realização não é algo novo. Quando olhamos para a história de Ana, a mãe de Samuel, podemos ver quão incompleta ela se sentia devido ao fato de não ser mãe. No exemplo de Ana, podemos entender que ter o sonho de ser mãe não significa ser egoísta simplesmente. Se tem algo que Ana não foi, em relação à sua maternidade, é egoísta. Contudo é preciso estar atenta, pois a realização pessoal está cada dia mais se tornando mais importante que os filhos.

Hoje, gostaria apenas de levar você a fazer essa reflexão. Que sentido tem a maternidade em sua vida? Ter um filho é só uma realização pessoal, ou é também a aceitação de uma tarefa divina?

Uma relação que se inicia com o propósito de atender a interesses egoístas, não me parece algo que se inicia com os motivos corretos. Maternidade combina com devoção, cuidado, dedicação, abnegação, amor… mas nosso mundo está tão corrompido que até mesmo a maternidade passa a significar apenas um capricho pessoal!

Que a maternidade tenha outro sentido em nossas vidas, afinal de contas, “Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão” Salmos 127:3.

Deus nos abençoe!

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