Há algumas semanas atrás, estava participando de um almoço com alguns amigos, após o culto de sábado. Quando acabamos de almoçar, alguns assuntos polêmicos surgiram, e alguns jovens começaram a fazer uma série de perguntas ao pastor que estava ali. Perguntas estas que nunca foram respondidas aos jovens de nossa Igreja. “Por quês” que assombram as mentes de jovens sinceros e servem de pretexto para jovens “rebeldes”.

Na outra semana, participei de algumas discussões no mestrado, que tratavam do assunto “ciência x religião”. Algo me chamou muito a atenção. Em um determinado momento, meu professor do mestrado se dirigiu ao quadro e escreveu 4 palavras que para mim valeram pela aula toda. As palavras eram Ciência – Dúvida, Religião – Certeza. Então ele disse. Ciência e religião não podem se misturar, pois a ciência é movida pelo princípio da dúvida, e a religião pelo princípio da certeza.

Aquelas palavras me fizeram pensar muito, e até hoje reflito sobre elas. Eu habito dois universos, o da ciência e o da religião. Durante a semana sou pesquisadora, utilizo as ferramentas que a ciência me dispõe, e como pesquisadora, utilizo o princípio da dúvida. Contudo, em outra parte do meu dia, funciono pela lógica da certeza, publico artigos no MulherAdventista, dou estudos bíblicos, participo na Igreja … enfim, faço uma série de atividades que exigem certeza e fé.

O pensamento do meu professor faz todo o sentido. De fato, a ciência é movida pela dúvida, pelo questionamento. Já a Religião é movida pela certeza, pela fé. Contudo, será que isso significa que as dúvidas não podem existir na religião, ou a certeza na ciência.

Neste aspecto, creio que penso de forma diferente do meu professor. Acredito que dúvidas são necessárias, elas nos fazem pesquisar, nos fazem buscar conhecer mais, e por isso elas precisam estar presentes também na religião. Contudo não devem mover a religião. Já a certeza, de certa forma também é necessária na ciência, do contrário, de nada nos serve o conhecimento adquirido científicamente, se não pudermos acreditar nele para fazermos uso dele.

Muitos pais, líderes e pastores não estão atentos, ainda, ao momento em que estamos vivendo. Estamos exatamente na época em que a ciência se multiplicou. Hoje, boa parte dos jovens terminam o ensino médio e começam a cursar uma graduação. Estes jovens passam a maior parte dos seus dias lidando com fatos e provas que possam embasar seus conhecimentos acadêmicos. São pessoas que não aceitam mais “porque sim” ou “porque não” como resposta.

Por que não posso usar jóias? Por que não posso ir ao cinema? Por que isso? Por que não aquilo? Será que nossos líderes estão prontos e dispostos a responder a essas perguntas?

Há alguns anos, um pastor, ao final do culto de sábado, fechou as portas da Igreja que frequento e deu uma série de orientações aos jovens. Disse para nós uma lista de coisas que não podiamos fazer. Em um determinado momento, um jovem levantou o braço e falou: mas você pode nos explicar por quê? O pastor respondeu que não estava ali para dar explicações, mas para dizer o que não devia ser feito.

Entendi a posição daquele pastor. Algumas coisas estavam saindo do controle, e ele não tinha tempo naquele momento de explicar detalhadamente cada assunto abordado. Era um momento em que nós jovens deveriamos estar abertos a ouvir a voz do nosso líder espiritual. Contudo, desde então, nunca houve um momento em que qualquer resposta tenha sido dada aos jovens sobre aqueles assuntos.

Nossa fé precisa ter fundamentos. Eu preciso conhecer o Deus a quem sirvo, e Sua Palavra. Preciso conhecer a vontade de Deus, e ter fé que a Sua vontade é o melhor para a minha vida. E para isso é necessário estudo, pesquisa e explicações.

Muitos adventistas não sabem explicar por quê se comportam como se comportam, e nem mesmo por quê são adventistas. Que religião é essa em que se age sem pensar ou refletir? Conhecer os fundamentos de nossa fé não seria dar a Deus um culto racional?

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