Cada vez mais nos deparamos com pessoas sofrendo a realidade de uma depressão. Os que acreditam ser necessário e podem arcar com as despesas, buscam auxílio profissional, contudo essa não é uma possibilidade para todos. Infelizmente, muita gente não tem condição de arcar com uma terapia, e muita gente sequer acredita que isso seja necessário ou válido.
De acordo com estudos, as pessoas que sofrem com a depressão, costumam mostrar uma série de déficits em suas habilidades sociais, comparados aos não deprimidos. Pessoas deprimidas sorriem menos frequentemente, fazem menos contato ocular com quem interagem, falam mais lenta e monotonamente, levam mais tempo para responder aos outros em uma conversa, fazem mais comentários relacionados a si mesmos e em tom negativo. Além destes sintomas, podem ser incluídos ainda a redução do interesse ou prazer em realizar atividades, alterações de apetite e de sono, agitação ou ansiedade, fadiga ou perda de energia, sentimentos de inferioridade e/ou culpa acompanhados por autocrítica, atenção para eventos negativos e ideação suicida. Observa-se também expressões de desamparo, insatisfação crônica, raiva e abuso de substâncias, entre outros.
Depressão é coisa séria, mas no meio cristão parece ser um tabu. Existem dois mitos, relacionados a este assunto, que muito frequentemente são tidos como verdade por pessoas em nossa própria Igreja:
1) Cristãos/Adventistas não podem ter depressão;
2) Cristãos/Adventistas não devem procurar psicólogos;
Quanto à crença de que os psicólogos são “maus”… talvez a gente converse sobre isso em uma outra ocasião. O importante nesse momento é sinalizar que muitas pessoas que compartilham de nossa fé estão sofrendo, sozinhas por acreditarem nesses mitos. Cristãos podem ter depressão sim! Inclusive, muitas vezes, eles possuem motivos peculiares para isso.
É importante entender que depressão não é toda e qualquer tristeza. Na verdade, para se chegar a um diagnóstico de depressão é preciso passar por um profissional qualificado, da área de saúde mental (como um psicólogo ou um psiquiatra). Tendo o diagnóstico é essencial que se busque o tratamento adequado ao seu caso.
Outro ponto importante é que a crença de que “por ser um cristão a pessoa não pode ter depressão” só alimenta mais o sofrimento do deprimido. A crítica e a cobrança que vêm dele mesmo por causa dessa crença, só aumenta seu problema, assim como a crítica e a cobrança das pessoas que estão ao seu redor.
Ver alguém que amamos numa condição de depressão é muito triste, contudo, precisamos ter em mente que nesses momentos essas pessoas precisam de amor e compreensão. A última coisa de que elas precisam é a condenação de seus irmãos na fé. Cristo disse:
“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” Mat. 5:4
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”Mat. 11:28
Se nosso mestre e exemplo se coloca à disposição das pessoas que sofrem, quem somos nós para julgar e condenar o sofrimento alheio?