A Lei da Palmada diante da Bíblia
Como foi amplamente noticiado, o Projeto de Lei n.º 2654/03, conhecido como Lei da Palmada, foi sancionado pelo Presidente Luis Inácio Lula da Silva, estabelecendo “o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos”.
Isso quer dizer que aquela “palmadinha” para que seu filho não coloque o dedo na tomada ou encoste no fogão quente, está terminantemente proibida!
Esse ato, muitas vezes automático praticado pelos pais no afã de proteger seus filhos de comportamentos inadequados é considerado pela lei como punição corporal moderada e, portanto, ilícito.
Os pais que infringirem a lei poderão ser punidos e encaminhados a programas oficiais ou comunitários de proteção à família, fazer tratamento psicológico ou psiquiátrico, participar de cursos ou programas de orientação. Já a criança ou o adolescente poderá ser encaminhado a tratamento especializado.
De acordo com a Deputada, autora do Projeto de Lei, em sua justifica, “não se trata, todavia, da criminalização da violência moderada, mas da explicitação de que essa conduta não condiz com o direito” e que o “escopo principal é ressaltar que a vedação genérica da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente quanto ao uso da violência abrange a punição corporal mesmo quando moderada e mesmo quando perpetrada por pais ou outros responsáveis”.
Confesso que, como advogada e futura mãe, fiquei preocupada ao ler o texto da Lei.
Como sabemos, a violência corporal é apenas um dos tipos de violência que podem ser perpetradas pelo ser humano. De acordo com a lei, é ilícito, obviamente, também a prática de violência sexual e moral e psicológica.
A mais subjetiva de todas elas e difícil de definir e caracterizar é a violência moral e psicológica.
Até então a Lei veda somente a punição corporal, seja ela moderada ou imoderada. No entanto, temo que futuramente o texto possa ser alterado para proibir também a repreensão verbal sob a alegação de que pode caracterizar violência moral e psicológica.
Imagine, em que mundo iremos viver se os pais se sentirem inibidos em repreender seus filhos, quando necessário, com medo de serem punidos por prática de violência moral e psicológica?
As dúvidas sobre a Lei são muitas. Alguns podem se perguntar se é realmente lícito que o Estado interfira na maneira dos cidadãos criarem seus filhos.
Considerando que o Estado detém a prerrogativa de administrar a sociedade, é lícito, no modelo de governo que temos hoje, que este mantenha certo controle sobre todos os membros desta, para a segurança da coletividade. Assim, o bem comum deve estar em primeiro lugar, se sobrepondo ao interesse individual.
Nossa Constituição Federal atribui, também, ao Estado o dever “assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. E é em nome deste dever e de outros fundamentos, nesse sentido, que o Projeto de Lei foi aprovado e sancionado.
Ocorre que, a despeito de toda a discussão jurídica e sociológica que permeia a Lei, a Bíblia diz assim:
“Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno.” (Provérbios 23:13 e 14).
“O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo o disciplina.” (Provérbios 13:24)
“A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela.” (Provérbios 22:15)
Como sabemos, o livro de Provérbios foi escrito unicamente por Salomão, o homem mais sábio da terra. A sabedoria de Salomão era inspirada por Deus.
A disciplina é necessária e a “vara”, palavra utilizada por Salomão, representa diferentes classes de disciplina. A “palmada”, uma dessas classes, pode ser necessária quando falharem outros recursos.
Quem condenaria uma mãe que após ter tentado de tudo, inclusive após ter buscado a ajuda do Estado, aplica chineladas em um filho viciado em crack que insiste em sair de casa para se drogar? Esse é o desespero de uma mãe que já tentou de tudo!
Quando criança, o castigo físico adequado, se extremamente necessário, pode proporcionar-lhe um benefício pedagógico. Lembra da palmadinha para ensinar a criança que não deve insistir em colocar o dedinho na tomada? Ou, será que mesmo após ter conversado com ela, você a deixaria insistir e levar um choque?
Na maioria dos casos, o diálogo aberto e a atenção resolvem o problema, sem que haja a necessidade da “palmada”. A disciplina através do diálogo leva à confiança mútua. No entanto, em determinados casos, talvez a palmada seja necessária. Essa é instrução Bíblica.
Ellen White ensina como proceder quanto a moderação no que diz respeito à disciplina:
“Nunca levanteis a mão para lhes dar um tapa, a não ser que possais, com clara consciência, curvar-vos diante de Deus e pedir sua benção sobre a correção que estais prestes a dar. Incentivai o amor no coração de vossos filhos. Apresentai-lhes motivos elevados e corretos para o domínio próprio. Não lhes deis a impressão de que se devem submeter ao governo porque essa é a vossa vontade arbitrária, porque são fracos e vós sois fortes, porque vós por que vós sois o pai e eles os filhos. Se desejardes arruinar a vossa família, continuai a governar pela força bruta, e certamente tereis êxito.” Testimonies, Vol. 2, Pág. 259 e 260.
Sendo assim, não é da vontade de Deus que disciplinemos nossos filhos imbuídos de raiva e ira. Isso nos levará ao emprego da violência abominada por Deus e à ruína dos nossos filhos e das nossas famílias. Devemos aplicar a disciplina de maneira racional quando for necessária.
Notem! Este artigo não tem como objetivo fazer apologia à violência ou a anarquia. Jesus Cristo, quando aqui esteve, deixou bem clara a autonomia e o respeito, que deve haver entre o Estado e a Religião, quando proferiu a frase: “Dai a Cesar, o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Matheus 22:21).
Nossos filhos são bênçãos de Deus e é NELE que devemos buscar a orientação correta de como educá-los! Deus nos dê sabedoria!










LEI DA PALMADA.
Ao que parece estamos caminhado para uma vitoriosa e indiscutível forma de “educar nossos filhos e crianças”. Que é a de proteger, por decreto-lei, os indefesos em relação aos pais que as querem educar através de agressões, ditaduras e forças físicas.
Num passado poderíamos até compreender tais agressões como instrumento de correção e doutrina, isso em razão de não existir informação inerente para aqueles que só encontravam nas palmadas, castigos severos e psicológicos uma forma equivocada de passar bons ensinamentos e comportamentos pessoais e sociais.
Porém, nos dias de hoje essas informações e formações jorram por todas as mídias em um imenso manancial de conhecimentos quantitativos e qualitativos.
Até por que se “palmadas de amor” educassem sem efeitos colaterais e nocivos, não haveriam lágrimas daqueles que as recebem.
Pois, quando um pai ou mãe opta pela agressão, esta – subtextualmente – agredindo sua própria ausência de sensibilidade e incompetência de amar, verdadeiramente, seu filho (s).
Uma reflexão aos pais que acreditam na imposição da violência…
“Se teu filho nascesse sem os braços ou as pernas, você agiria dessa maneira, ainda sim”?
Cecél Garcia
Suas palavras, Karyne M. Lira Correia: “Freqüentemente um só destes corretivos será suficiente para mostrar por toda a vida que não está observando a disciplina.”
Gostaria de pedir às mamães e papais defensores da palmada que lessem com bastante atenção essa minha história, ok? Gostaria de agradecer tbm à dona desse espaço pela aceitação dos meus comentários. Q Deus nos abençoe!
Com carinho [:)]
Andreia Mascarenhas
(Um pouco da minha história como mãe):
Eu sou mãe de dois filhos. Um tem 8 anos e o outro fará 2 no próximo dia 22.
Quando tinha apenas um filho, eu não achava tão difícil educar, mesmo assim não fugia das palmadas e dos gritos. Foi assim q eu aprendi… não entendia nada das fases e da sensibilidade de uma criança…
Quando engravidei de meu segundo filho, logo q a minha barriga começou a crescer, meu filhote foi ficando muito rebelde, desobediente e agressivo. As palmadinhas foram dando espaço às palmadas e tão logo elas perderam a força, vieram os tapões… É claro q meu filho desobediente, na hora em que recebia a palmada/o tapa parava o q fazia e atendia logo a mim e ao pai… Eu dialogava com ele, mas parecia q os diálogos não faziam efeito…
Meu filho ficou mais difícil ainda quando o irmão nasceu
Um dia, as palmadas e tapas não mais faziam seu ‘papel’ bem feito, daí eu apelei para a sandália, meu filho passou a receber sandália no bumbum e nas pernas quando aprontava em casa ou fora dela… Ele foi ficando pior ainda e as agressões foram ficando mais frequentes e mais fortes.
Daí após algum tempo a sandália não mais resolvia também. Meu marido, muito chateado, querendo que ele obedecesse a todo custo, e perdendo totalmente a tolerância com ele, pegou um outro objeto e afirmou: “Sua mãe não sabe te bater, por isso é que vc é assim. Vc tem que tomar uma surra de cinto.”
Eu fiquei perdida, não sabia bem se permitia, eu queria mesmo q ele aprendesse a obedecer de verdade. Acontecesse que quando eu vi o cinto na mão dele, passaram-se na minha mente muitas lembranças de quando eu era criança. Lembrava da palmada, do tapa, da sandália, da vara e do cinto. Eu lembrei naquele momento da dor, da tristeza, de como me sentia desumanizada e agredida quando minha mãe me batia, ainda que dizia: “Te bato porque te amo, te bato pra vc aprender, pra vc ser uma pessoa de bem…” (ai, gente que dor, estou chorando, tenho vontade de parar, mas vou continuar relatando, quem sabe esse testemunho serve para alguma coisa…) Diante de tantas lembranças, nada agradáveis, eu fiquei desesperada e impedi que ele o tocasse.
Daí quando passou a fúria de meu marido, chamei meu filho para conversar e ele disse que queria mesmo era morrer! Eu não consegui contê-lo. Allec gritava e chorava soluçando. Nunca me esqueço dessa cena, nunca………. Ele tinha apenas SEIS anos e falou como um adolescente naquele momento, no seu coração tinha muita revolta!
Perdida e sem saber o que fazer, comecei a procurar ajuda na internet, a ler textos que falam sobre educação de filhos, porque eu me sentia triste e impotente diante daquela situação e queria muito, muito mesmo q ele mudasse de comportamento.
Encontrei a comunidade Pediatria Radical. Quando li que as mães lá educavam sem palmadas eu fiquei me perguntando como isso era possível. Mas eu já sabia que elas NÃO FUNCIONAVAM. Quando a criança é pequena ela sempre vai “funcionar”, mas ao passo que ela cresce, a força vai crescendo também. Talvez naquele dia, se eu permitisse uma surra de cinto em meu filho, ele parasse de desobedecer por uns dias, mas logo teria q tomar outra e depois outra e outras mais, sempre mais fortes – e eu era testemunha disso!
Bem, lá na comunidade algumas mães me orientaram de como eu poderia dar limites ao meu filho, fazê-lo obedecer e ser mais feliz. Veja bem: Meu filho recebia palmadas, depois outros castigos, mas CONTINUAVA SEM LIMITES!
(Esse relato envolveria também algumas outras experiências, mas vou resumir para não cansar tanto os leitores. Vamos para o final………….)
Eu, depois de entender os males que causava ao meu filho, com o uso da força física, JUREI QUE nunca mais minhas mãos o tocariam, senão para abraçá-lo e fazê-lo feliz. Aprendi MUITAS OUTRAS FORMAS DE EDUCAR E DAR LIMITES SEM DOR E SEM TRAUMAS. Parece que eu tinha renascido como mãe naquele momento… comecei a fazer tudo diferente, tudo mesmo. Entrou o diálogo, a atenção, a brincadeira juntos…
Quando ele desobedecia (e como desobedecia, pois ele não sabia obedecer com palavras apenas!) eu conversava e contava até 10, saía, tomava uma água, respirava fundo… Eu fui aprendendo a ter paciência, foi um treino incansável… Algumas vezes, pelo hábito, escapulia a palmada e o grito… Mas eu sempre reafirmava o meu objetivo.
Bem, as coisas começaram a dar certo. Pelo menos ele estava mais calmo e menos agressivo, embora muito desobediente ainda.
Acontece que meu marido não queria aceitar criar um filho sem palmadas e sem gritos. Ele dizia: “Se eu não bater em meu filho hoje, a polícia bate amanhã…” – MORRO DE RAIVA DESSA FRASE! Ela me incomodou muito, tirava-me a paz! Como meu marido não aceitava, eu fiz uma pesquisa e desmistifiquei essa frase. Vi que 70% das pessoas que já tinham apanhado da polícia, pela conduta ruim, eram vítimas dos castigos físicos na infância. Percebi que inventaram essa frase pra justificar a violência contra crianças. Meu marido ficou meio confuso com o resultado (era o começo da mudança). Mas ele era muito resistente à mudança, muito mesmo!
Eu fui incansável, às vezes perdia a tolerância e brigávamos até… foi muito difícil. Até q um dia eu o convenci a assistir uma palestra sobre o tema e ele foi. Voltou bem reflexivo, disposto a mudar, mas ainda assim foi difícil. O primeiro passo estava dado, ele já entendia q era possível educar sem o uso de violência/força.
Mas o hábito traz reações horríveis. Ele não queria mais dar palmadas e gritos, mas quando via já tinha dado. Eu ficava triste demais, nervosa, brigava pra caramba com ele, por ver meu filho passando dor desnecessária. Foi difícil. Meu casamento andava em crise nessa época e eu QUASE me separo depois da minha decisão de não aceitar violência na minha casa…
Meu filho estava cada vez mais difícil, não atendia apenas com palavras, ele NÃO SABIA obedecer/atender ordens e pedidos de verdade. Só fazia se fosse com palmadas ou ameaças…
Daí um dia tivemos uma conversa (eu e meu marido) e eu pedi para ele que desse um mês para mim e o filhote. Seria um mês sem palmadas e sem gritos. Eu o deixaria descansar da educação do filho, ele deveria ficar meio à parte e apenas nos observar…
Eu pedi q se ele percebesse q ia gritar ou levantar a mão q saísse de perto e deixasse q eu resolvia, sem q o garoto percebesse o porquê. Os dias foram se passando, eram nossas primeiras semanas sem nenhuma palmada. Allec q estava agressivo, teimoso, nervoso, na segunda semana foi ficando mais calmo, até na escola, de onde eu recebia muitos recados que me entristeciam.
Quando completou um mês, pudemos observar uma PEQUENA mudança. Allec era mais tranquilo, mais obediente, mais feliz. Abolimos de vez as palmadas, os gritos e as ameaças. Com muita determinação ele conseguiu, embora vez ou outra escapulia a palmada. Hoje não mais existe nenhuma atitude desse tipo. Agora ele é tão contra que fica se perguntando como ele erguia a mão para o filho, às vezes ele nega pra ele mesmo q fez isso um dia, de tanto remorso que sente e de tão ridículo q ele acha.
Bem, são QUASE DOIS ANOS sem palmadas, sem o uso da força física na minha casa. De vez em quando ainda sai o grito, mas ainda aprenderemos a nos conter melhor, é um aprendizado, é passo a passo, é um processo demorado mesmo…
Aprendemos a educar de verdade, com diálogo, atenção, impondo limites através do sim e do não sempre dados na hora certa. Se o meu filho, mesmo depois de ouvir o ‘não’ tiver dificuldade de aceitá-lo, pode chorar à vontade. Depois q ele se acalma conversamos com ele e os resultados são muito bons.
Cada vez mais ele aprende a obedecer e, mais importante que obedecer são os valores que ele assimila a cada dia e a percepção clara de seus limites. Ele sabe muita coisa, muita coisa que muitos adultos não sabem: compartilhar, ajudar a levantar alguém que caiu (tem adulto q rir, né?), odeia a violência, NUNCA MAIS agrediu ninguém. É carinhoso, meigo e feliz.
Ainda dá muito trabalho, como toda criança curiosa e cheia de energia. Uma coisa muito importante que observo nele é que aprendeu a argumentar. Ele não obedece a tudo não. Primeiro ele tenta entender porque deve fazer isso ou aquilo. Preciso de muita paciência ainda pra ouvir as suas insistências, sejam elas inteligentes ou não. Mas eu gosto disso, afinal o mundo está muito mal, já pensou se ele aprende a obedecer a tudo, sem questionar?
Às vezes quando está muito difícil, eu o coloco pensando, não precisa nem usar a palavra castigo. Ele pensa e percebe em que errou, em que atitude precisa mudar, pede desculpas, conserta o erro… aprende como resolver seus próprios problemas…
O bebê vai fazer dois anos e nunca levou uma palmada, também é um menino adorável. É cheio de energia e haja paciência e atenção! rs. A cada dia aprende um pouco a livrar-se dos perigos, vai ganhando independência e é uma criança muito feliz.
Hoje eles estavam agitados pra caramba. Peguei vasos tinta e pincéis e fomos à área dos fundos cada um inventar a sua própria arte. Ficaram tranquilos, pintaram o sete e o oito e a tarde foi muito agradável.[:)]
Quando eles têm choram de birra ou ficam nervosos (e nós adultos muitas vezes também ficamos, não?) eu os abraço forte e falo bem baixinho, com muito carinho e logo, logo a birra vai passando…
São muitas as formas de educar sem palmadas, sem gritos e sem traumas. Vamos experimentá-las?
Jesus via as crianças próximas de Deus e pedia amor, jamais castigo.
Os verdadeiros estudiosos da Bíblia entendem que, quando se fala em vara e em bastão, significa mostrar o caminho, assim como o pastor mostra seu bastão para as ovelhas.
Portanto, cabem aos pais mostrar o caminho. Se a criança está chorando/birrenta, mostrar como se acalmar, se a criança está com sono, ajudá-la a dormir, etc.
Jesus sempre demonstrou afeto pelas crianças e assim orientou que fizéssemos. Deus jamais admitiria uma agressão contra um ser indefeso. Quem dá palmada numa criança agride a Deus.
Lei contra a punição física: Uma palavra aos cristãos que valorizam a Bíblia como orientação para a vida
A lei contra castigos físicos aprovada pela Câmara dos Deputados nesta semana tem provocado um intenso debate em muitos setores da sociedade. De maneira especial, o tema vem sendo negativamente repercutido entre alguns grupos cristãos, pois a lei estaria indo de encontro à orientação biblica no que se refere à educação infantil.
Os principais argumentos utilizados por alguns cristãos e líderes religiosos para criticar a lei estão baseados principalmente em textos do Antigo Testamento, em especial o livro de Provérbios, que cita várias vezes o uso da “vara” como medida educativa, dando a entender que bater nos filhos tem o aval divino.
O problema é que qualquer texto bíblico deve ser analisado à luz de seu contexto histórico, cultural e social. A tradição teológica contextual nos alerta para o risco de adotar interpretações legalistas e desconectadas de seu contexto imediato. Por esta razão encontramos muitas leis no Antigo Testamento que não são cumpridas hoje, pois sabe-se que tais leis faziam sentido apenas naquele momento, para aquela sociedade.
Exemplos? sacerdotes não podiam raspar a cabeça nem aparar as pontas da barba. Pessoas com deficiência física que não podiam oferecer sacrifícios a Deus por serem consideradas “defeituosas”. Comer carne de porco era proibido, assim como frutos do mar. Homens podiam vender suas filhas como escravas, mulheres não podiam pedir divórcio, e em caso de adultério seriam apedrejadas até a morte.
Enfim, eram leis que hoje aos nossos olhos são vistas como estranhas ou sinais de barbárie, mas estavam simplesmente de acordo com a mentalidade daquele tempo. Nesse contexto, usar uma vara para “corrigir” uma criança era tão aceitável quanto bater num escravo ou apedrejar uma mulher adúltera.
É este tipo de análise contextual que faz com que os cristãos de hoje não saiam por aí apedrejando mulheres, açoitando empregados, ou abstendo-se de um delicioso prato de frutos do mar.
Portanto, se cremos que o uso da vara vale para hoje porque é mandamento divino, também temos que lutar pela volta de práticas como tortura, açoites e apedrejamentos.
Além disso, ver a aplicação de castigo físico a uma criança como sendo lei de Deus é desconsiderar o principal salto teológico da cristandade: o advento de Cristo. O nascimento de Jesus foi o marco que instituiu uma nova época, uma Nova Aliança, um Novo Testamento. Uma nova mentalidade, em que a lei dura e severa é substituída pela Graça de Deus, sobre cuja compreensão traz profundas transformações na maneira de se relacionar com Deus, com o próximo, com a humanidade e com a natureza. Um novo tempo não mais regido exclusivamente pela Lei, mas pela Graça. Não mais pelo castigo, mas pelo amor.
Neste Novo Testamento, as relações familiares e sociais não são mais estabelecidas a partir de um viés de violência, mas sim de um referencial de amor e respeito mútuo. Não se fala mais em “vara da disciplina”, mas na disciplina do amor.
“E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 4:4)
“Disciplina” não é sinônimo de “punição física”. Há muitas maneiras de se disciplinar uma criança sem erguer uma vara, um chinelo ou uma mão sobre ela. “Dar limites” não é sinônimo de “bater”.
Negar-se a usar a política da palmada não é de maneira alguma negar-se a educar, a disciplinar ou a impor limites tão necessários na formação da criança. Nem tampouco é colocar em risco a posição de autoridade parental. É, ao contrário, a tentativa de constituir uma configuração relacional que seja diferente do modo vigente em nosso mundo já tão repleto de maus tratos, opressão e injustiça. É principalmente uma forma de “não se conformar com este século, mas transformar-se pela renovação da nossa mente” (Romanos 12:2).
Os cristãos que se orientam pelas Sagradas Escrituras possuem um genuíno desejo de serem diferentes do mundo que aí está. Precisamos, portanto, lembrar que bater nos filhos é igualar-se a este mundo, pois a cultura da palmada ainda continua a ser o padrão secular na educação infantil. Usar a punição física nos coloca na mesma fôrma social que tanto criticamos.
É fácil? Não, não é nada fácil.
Certamente o caminho alternativo do amor é muito mais difícil, exige dos pais muito mais tempo, paciência, sabedoria, auto-controle, e especialmente o exercício de seus próprios limites para não “perder as estribeiras”. Afinal, como um pai pode ensinar limites a um filho, se ele mesmo não consegue controlar os seus próprios limites no momento da fúria?
Eu não tenho dúvidas de que seria muito interessante se a comunidade cristã, em especial a evangélica, à qual também pertenço, pudesse se deslocar de uma interpretação literal e legalista do Antigo Testamento e despertar-se para esta realidade da Nova Aliança trazida por Cristo, e pudesse finalmente conhecer o que realmente acontece quando uma criança do nosso tempo recebe uma punição física, e quais são os efeitos sobre ela.
Certamente compreenderíamos muito melhor o que o apóstolo Paulo quer dizer quando nos desafia a não provocar em nossos filhos a ira, o medo, a angústia ou qualquer outro sentimento negativo que causa tantos danos à identidade de nossas crianças.
Que Deus nos ajude a sermos pais que vivem sob a Graça do Novo Testamento.
Esse texto foi retirado do site, BlogPsico Jd e escrito por João David Cavalazzi Mendonça.
Depois de ler todo o debate. Preciso fazer algumas observações.
Karyne M. Lira Correia.
(Quem condenaria uma mãe que após ter tentado de tudo, inclusive após ter buscado a ajuda do Estado, aplica chineladas em um filho viciado em crack que insiste em sair de casa para se drogar? Esse é o desespero de uma mãe que já tentou de tudo!)
Com certeza uma chinelada vai resolver todo o problema!E o rapaz VICIADO vai ficar em casa. Acho que você não conhece dependentes químicos de verdade! Se essa mãe esta mesmo desesperada, estaria procurando uma clinica pra internar o filho doente!
Mais uma.
(Ontem, enquanto estava no aeroporto aguardando o vôo para Joinville, vi uma cena irônica!! Um garoto de aproximadamente 5 anos, fazendo pirraça, gritando com o pai, e BATENDO nele. Olha que ótimo, o pai só pode falar com o filho, porque é isso que a lei permite, mas o garoto podia bater no pai, sem haver penalidade civil alguma.)
Quer mesmo que exista alguma PENALIDADE civil pra criança? E outra o pai pode sim fazer outras coisas além de FALAR.
E não sei se vc tem filhos?? Mas a criança poderia estar cansada, com fome, sabe se la da onde estava vindo, qts horas já estava viajando. Se estava com sono. (criança com sono fica terrível) Ou talvez estava mesmo é ENTEDIADA. Pois é criança fica sim entendiada, já que não é múmia nem estátua pra ficar sentadinho, comportado ao lado do pai. Ai se vale do pai e da mãe, conhecer as necessidades dos filhos. Estar armado e preparado pra essas situações “estressantes” – se até pra mim ficar esperando voo em aeroporto imagina pra uma criança cheia de energia – como, tendo um livro, um game, um brinquedinho, uma bolachinha, dai vai do pai conhecer os gostos da criança.
Pode nos dar um exemplo de um momento em que a palmada seria necessária?
Surra é agressão?
Se uma criança maior de uns 10, 12 anos desobedece,e já se esgotou todas as classes de disciplina. O que se faz palmada ou surra?
Eu, como adventista, fico muito chateada em saber que gente do nosso meio apoia a palmada educativa. Deveríamos ser nos os defensores.
Acho interessante falar assim.. Se vc ficou com traumas é pq sua mãe nao fez direito. Em suma foi isso que eu entendi!!
(Sua mãe dizer q te batia por amor não significa q ela fazia oq estamos dizendo aqui)
(Nunca levanteis a mão para lhes dar um tapa, a não ser que possais, com clara consciência, curvar-vos diante de Deus e pedir sua benção sobre a correção que estais prestes a dar. Incentivai o amor no coração de vossos filhos. Apresentai-lhes motivos elevados e corretos para o domínio próprio. Não lhes deis a impressão de que se devem submeter ao governo porque essa é a vossa vontade arbitrária, porque são fracos e vós sois fortes, porque vós por que vós sois o pai e eles os filhos. Se desejardes arruinar a vossa família, continuai a governar pela força bruta, e certamente tereis êxito.” Testimonies, Vol. 2, Pág. 259 e 260.)
Eu apanhei muito quando criança. Minha mãe adventista como eu, sempre achou que estava fazendo o certo, eu acredito que ela tenha a consciência limpa nessa questão. Pq ela fazia tudo certinho de acordo com Ellen White dizia. Ela explicava por que a gente tava apanhando e tal, conversava. Depois no culto vespertino ou do dia seguinte, orava conosco pra Deus nos ajudar a obedecer. Ela tinha toda uma metologia.
E embora HOJE nunca falamos tão abertamente do assunto.
Eu compreendo que ela nao teve os meios que eu tive de aprender que Palmada nao educa.
Mas todo aquela metodologia dela.. falhou.. Eu obedecia e fazia as coisas certas por puro medo. Medo dela descobrir, medo de apanhar depois. Eu as vezes nem sabia pq eu não podia fazer tal coisa, simplesmente não fazia por medo…VIXI se ela descobrisse uma arte – hahahah E olha que eu não fazia arte que nem hoje, era coisa inocente e boba de criança mesmo – Mas me dava frio na barriga pq eu sabia o que viria depois, eu sabia que apanharia.
Na mente da minha mãe, todas as outras técnicas disciplinares já tinham sido usada. Na mente dela era a hora da correção através da vara.
Mas tudo aquilo me marcou, tudo aquilo me machucou, Eu jamais quero que meus filhos sintam o frio na barriga que eu sentia na hora que iria levar a “palmadinha educativa”. Eu nao quero que meus filhos me obedeçam pq tem medo de mim.
Eu amo demais minha mae, temos uma relação muito linda, mas eu obedecia muito por medo.
Existem pessoas que apanharam e agradecem a mae por isso.
Existem pessoas que carregam lembranças dolorosas desses momentos.
Eu me encaixo nessa segunda categoria.
Como não dá pra prever o futuro. Eu não quero correr o risco de meus filhos carregarem alguma lembrança dessas.
Eu posso fazer tudo certo. Posso orar pra Deus. Posso pedir orientação, posso ler os livros de Ellen White. (minha mãe fazia isso) e ainda assim pode dar errado. Pode dar tudo errado!
Claro que vc vai dizer. Sua mãe dizer que te batia por amor nao quer dizer que ela estava fazendo assim.
Olha eu conhecendo minha mãe, minha mãe é a pessoa mais doce, pura e boa que eu conheço, e tem um relacionamento com Deus impressionante, é uma mulher guerreira de fibra, tenho muita admiração por ela. E tenho certeza absoluta de que ela batia sim por amor. No coração dela era por amor.
Então não tem como saber
Só sei que Eu não consigo imaginar o Jesus que eu conheço, O Jesus que eu vivo, dando uma palmadinha Educativa numa criança pra ela não por a mão na chaleira quente, ou na tomada (já inventaram protetor de tomada né) O Jesus que eu conheço, tiraria aquela criança com amor daquele lugar. Mil vezes se fosse preciso. DO mesmo jeito que o bom pastor pega a ovelha desgarrada no colo, e com muito amor. Ele deveria estar bravo, ficou horas procurando a ovelha perdida. Poderia bem dar umas varadas nela pra ela aprender que nao pode se desviar do rebanho e tal..mas ele não, com muito amor, pega ela no colo!
É tão obvio.
P.S.:Eu sei que a parábola da ovelha perdida, tem outro significado. Só quis cita-la, pela quantidade de amor que é passada. A mesma quantidade de um pai por um filho. A mesma quantidade de amor que eu sinto quando imagino Deus cuidando de nós.
Voltando ao exemplo do viciado em Crack.
Me desculpe mas eu nao me conformo com esse exemplo.
(Quem condenaria uma mãe que após ter tentado de tudo,)Esse tudo inclui o que???
(Aplica chineladas em um filho viciado em crack que insiste em sair de casa para se drogar?)Qts anos tem o filho? Será que é criança ainda? Se enquadra na lei é adolescente pelo menos? Mais uma vez, sério mesmo que você acha que dando umas chineladas o filho ficou em casa SENDO viciado? Sério mesmo que você acha que dando chineladas resolveu o problema?
Afinal as “chineladas” ou palmadas educativas são pra que? Resolver o problema ou pra aliviar o desespero da mãe. Partindo do obvio de que não resolveu o problema nesse caso. Pra que aconteceu a chinelada?
(Esse é o desespero de uma mãe que já tentou de tudo!) Aqui está o ponto da questão que eu quero chegar.
Essa palavra aqui DESESPERO. Ué perai.. não é contradição não? Quem é a favor da palmada sempre diz que não é num momento de desespero, que a pessoa precisa estar calma. Eu acho que uma mãe desesperada não deveria bater no filho não. Uma pessoa desesperada faz coisas que em um momento de lucidez jamais faria.
E mais um detalhe. No próprio texto que vc pegou da Ellen White.
Se desejardes arruinar a vossa família, continuai a governar pela força bruta, e certamente tereis êxito.
No meu entendimento bater de chinelo em alguém é usar força Bruta.
Peço desculpas por ser tão insistente nesse exemplo. Pq Acredito que não se aplica a lei. Não se aplica a questão. E não tem nada a ver com palmadas Educativas.
Nesse exemplo, o problema é muito mais profundo.
Traga um exemplo Real, de um verdadeiro momento em que as palmadas educativas são necessárias.
Queridas leitoras, é um pouco difícil acreditar que vocês leram realmente tudo o que foi escrito anteriormente, mas se vocês o fizeram só posso dizer uma coisa:
Se vocês não concordam com o uso da palmada, questione ao Deus que deu sabedoria a Salomão e orientou Ellen White quanto ao que escrever.
Quando uma orientação é divina, entendo que não cabe a mim passar meses explicando o que Deus quis dizer, pois há pessoas que só entenderão no dia que permitirem ao próprio Deus explicar! Então, aconselho que busquem a Deus em humildade de coração e permita que Ele fale claramente aos seus ouvidos o que as passagens apresentadas aqui significam!!
Um feliz e abençoado Natal a todos! =)
Quando falta argumento é assim mesmo q as discussões terminam… Felizes e inteligentes os que conseguem compreender e mudar de atitude. Quando eu era a favor das palmadas eu tbm não via outras alternativas. É uma questão de querer mudar, querer pela felicidade dos filhos, querer por admitir q precisam tratar o outro da forma como queremos ser tratados: com amor e repeito!
É impossível não encontrar alternativas para educar sem castigos físicos! Mas isso só se consegue com paciência, respeito e sabedoria!
Eu passei meses de oração antes de desenvolver o projeto Mâos e FIlhos, quando parti para as palestras, orientando aos pais sobre uma educação com limites, amor, sem dor e sem humilhações. E eu confesso, que a ‘vara’ da Bíblia me fazia recuar toda vez q pensava em levar meu projeto à frente… Até q tive as minhas orações respondidas e a minha mente foi aberta para compreender o tema.
Conversei com vários pastores, no mundo real e virtual. Uns eram a favor das palmadas/varas e outros não; uns me pediram um tempo para estudar sobre isso e conseguiram compreender que não há lógica na vara literal, outros mudaram de pensamento após as nossas discussões e confessaram q nunca tinham estudado a fundo esse tema…
Lamentável tanta resistência, lamentável!
Feliz Natal! Nunca é tarde para refletir e mudar!
Lamento o modo abrupto como o Estado está tentando tomar para sí uma responsabilidade da qual ele não entende:GUIAR A FAMILIA. Que eu diria está sendo o inicio da destruição da mesma. O ESTADO NÃO TEM E NUNCA TERÁ CONDIÇÕES, AFETIVAS PARA LIDAR COM A FAMILIA. Lamento o tão grande numero de Deputados que se dizem evangélicos, e não são, votarem para a aprovação desta vergonha. Os senhores são na realidade mercenarios de paletó, pois conhecem a verdade, sabem que por trás de tudo isso está Satanas, e mesmo assim contribuem a expansão do reino dele. Espero que Deus lhes pague com a devida recompensa. OS SENHORES ERRARAM, E FEIO.
Pr.Clésio Vieira.
Andréia, sinto muito se você entende minha última resposta como falta de argumento. Felizmente não é o meu papel convencer você, nem ninguém, do pecado da justiça e do juízo. A Palavra de Deus é clara em dizer que esse papel é do Espírito Santo.
Se a Bíblia e o Espírito de Profecia nos ensinam algo sobre educação e correção de crianças, quem sou eu ou quem é você para dizer que está errado? Você pode continuar argumentando que o termo “vara” na Bíblia não deve ser entendido literalmente. Uma afirmação dessas deve estar embasada em um estudo teológico profundo o qual você não apresentou. Mas, mesmo assim, vc pode permanecer sustentando esse argumento.
Contudo irmã, quando se trata dos escritos de EGW, os argumento de uma “vara simbólica” não podem ser sustentados.
De todo modo, continuo concordando com vc de que é possível educar sem dar palmada. Mas não posso de modo algum, querida, concordar de que em nenhum caso isso poderá vir a ser necessário. O Espírito de Profecia nos ensina isso claramente. Entender o que Deus revelou é trabalho de cada um individualmente.
Tenha um 2012 muito feliz irmã! A paz do Senhor Jesus Cristo esteja com sua família!
Isso!!!!!!!!!!
“É possível educar sem dar palmada”
olá pessoal estou muito interessada neste assunto…estou lendo atentamente os comentarios aqui…apesar de suas descordias,todos interessantíssimos!!!