Sermões algodão doce

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Há alguns meses atrás, li um texto no Espírito de Profecia que me fez pensar acerca dos sermões que fazemos e ouvimos. A princípio, compartilhei apenas com algumas pessoas em minhas redes sociais. Mas ele me parece tocar em algo tão atual, que decidi compartilhar aqui também.

Antes, permita-me perguntar: você já assistiu a um “sermão algodão doce”? Você gosta desse tipo de sermão?

Chamo de “sermão algodão doce” aquele que nos agrada por seu sabor adocicado, mas não produz grandes efeitos desfazendo-se rapidamente. É volumoso e ao mesmo tempo vazio. Mexe com as emoções, mas não produz conversão. Até pode ter palavras de exortação, mas estas são anuladas pelas frases seguintes ditas pelo orador. São sermões que deixam a igreja cheia, mas não enchem de súditos o Reino.

Geralmente esses sermões são feitos, ainda que inconscientemente, de forma que agradando ao ouvinte, não gera desconforto, respostas de resistência ou oposição (que seriam respostas naturais da natureza pecaminosa à verdade). As palavras que saem dos lábios do orador são engolidas com facilidade pelo público. Ao final, os comentários dos ouvintes são do tipo “que mensagem maravilhosa!”, ou “esse pregador é muito bom!”. Mas na prática, não foi produzido efeito algum para o crescimento espiritual.

Certa vez Ellen White recebeu a sugestão de fazer um sermão assim. 

“O irmão E. sugere que o povo se agradaria de que eu falasse menos sobre dever e mais a respeito do amor de Jesus. Mas desejo falar como o Espírito do Senhor me impressionar. O Senhor sabe melhor o que este povo necessita. Falei pela manhã [sábado, 17 de Outubro] de Isaías 58. De modo algum contornei a realidade dos fatos.” — Manuscrito 26, 1885. – {ME3 64.1}

Perceba que o problema não estava em pregar sobre o amor de Jesus. É claro que o amor de Cristo deve ser pregado. Seu amor nos salvou, e todo ser humano precisa conhecer este amor grandioso e a boa nova de salvação que o acompanha. O problema estava em produzir sermões para agradar ao público.

Um palestrante motivacional pode fazer palestras tendo em vista agradar a seu público. Um orador que assume o púlpito não. Quando a Palavra de Deus é aberta, quem deve falar é Deus, e não o homem. E a mensagem abordada deve ser conforme o querer divino, e não o desejo do coração enganoso.

Nossa inclinação para o mal nos faz desejar ouvir mensagens vazias, que não nos exortam quanto aos deveres cristãos, quanto à nossa conduta como servos de Deus. Se é feito um sermão sobre fidelidade nos dízimos e nas ofertas, há quem se aborreça e diga que não se devia pregar sobre dinheiro na igreja. Se é feito um sermão sobre reforma de saúde, há quem diga que esta mensagem consiste apenas em conselhos, e portanto não deveríamos ocupar o púlpito para falarmos sobre isso. E ai do pregador se tocar no tema da modéstia cristã! 

Qualquer pai que ame seus filhos apresentará a eles repetidas vezes o que é certo e errado, quais os seus deveres, e o que deles espera. Nisso ele deixa de lhes apresentar o seu amor? Não! Claro que não. Ao contrário, fazendo isso é que ele demonstra quão verdadeiro é o seu amor por eles.

Jesus “deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.” (Tito 2:14). Não há como separar o amor de Deus por nós de nosso dever para com Ele. Separando esses temas enganamos as pessoas, agradamos à natureza pecaminosa do ouvinte e colaboramos para a sua perdição. 

Deixemos que Deus fale através de Sua Palavra! Paremos de fazer espetáculos onde deveriam ser feitos sermões. Que aprendamos a nos conformar à norma divina e deixemos de conformar a mensagem de Deus à nossa própria vontade!

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