Tudo que Deus nos pede é amor

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“Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” Gálatas 5:14. Assim o apóstolo sintetiza a vontade expressa de Deus – Sua lei. O próprio Jesus já havia afirmado anteriormente:

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” Mateus 22:37-40

Tudo o que Deus nos pede é que amemos. Que amemos a Ele e amemos ao próximo. Mas, o que é amar?

Como adventistas do sétimo dia, costumamos explicar que o decálogo se divide em duas partes: os primeiros 4 mandamentos se referem ao nosso amor para com Deus, e os 6 últimos ao nosso amor ao próximo. Então, amar não é simplesmente sentir uma emoção. Longe disso, amar implica em agir. Amar a Deus implica em adorar apenas a Ele, em não tomar Seu nome em vão e em santificar o dia que Ele escolheu – o Sábado. Amar ao próximo implica no respeito para com os pais, em não matar, não adulterar, não roubar, não mentir e não cobiçar. Amar é algo prático.

Isto fica explícito também na carta à Igreja de Éfeso: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; […]” Apocalipse 2:4 e 5. A Igreja havia deixado o seu primeiro amor, e a solução apresentada por Cristo a ela era voltar a praticar as primeiras obras. Não é possível separar amor de obras. Amar é agir.

Até mesmo o Diabo, ao perverter a lei do amor, não o desvincula das obras. A Lei do Thelema diz: “Faze o que tu queres, será o todo da Lei.” “Amor é a lei, amor sob vontade.” Esta lei diabólica foi feita letra de uma música bastante conhecida no Brasil – “Sociedade Alternativa”. Ali (na música) é descrita uma porção de coisas que você pode fazer se quiser, afinal de contas, amar (de acordo com esta lei) é sinônimo de fazer o que quiser.

Este pensamento satânico, sintetizado na lei do Thelema parece invadir, atualmente, o mundo cristão. E o discurso dos cristãos tem sido uma espécie de “faze o que tu queres; simplesmente ame”. Tenho amigos cristãos de outras denominações, e já estudei em escolas de outras denominações, e para mim é muito visível a presença atual desse discurso nas igrejas cristãs.

A estratégia de Satanás, desde a primeira tentação feita neste mundo não mudou! Ele continua enganando ao misturar verdade com mentira. De fato, Deus quer que amemos. Isto é, na verdade, a única coisa que Ele nos pede. Mas amar não é fazer o que eu quero. Nosso coração é enganoso (Jeremias 17:9). Não podemos confiar em nossa própria vontade.

Infelizmente, em nosso meio (agora sendo mais específica quanto a nós, adventistas), tem se proliferado um discurso equivocado sobre o amor também! Sim, somos sujeitos a erros como todos os demais cristãos. E eu não me refiro aqui a algum livro ou sermão que tenha lido ou assistido, mas ao discurso que pude ouvir ao viajar nosso país de norte a sul nos últimos anos. Um discurso que há algum tempo atrás eu mesma reproduzi, e vi (e vejo) amigos reproduzirem também.

Geralmente, este discurso é amplamente usado para combater mensagens de reavivamento e reforma. Por isso, desde 2010, quando essa se tornou a ênfase da Igreja mundial, tenho a impressão de que esse discurso passou a ser mais utilizado em nosso meio. O discurso de que não precisamos fazer nada, apenas amar.

Não fazer nada, apenas amar. Não faz sentido algum. Não é possível amar sem fazer coisas. Você se sentiria amada por um marido que não lhe dá atenção, não lhe trata com respeito, que não é fiel a você, que não se importa com seus sentimentos, que apenas diz “eu te amo” uma vez ou outra? Claro que não! Mas temos falado, espiritualmente, em amar sem agir!

Então, quando alguém vem à Igreja pregar sobre Mordomia Cristã, quem se incomoda com o assunto dos dízimos e das ofertas porque não é fiel a Deus nessa área da vida, acusa o pregador de legalismo, de salvação pelo dízimo, salvação pelo pacto, e declara que tudo o que Deus requer de nós é amor. Esquece, talvez, que devolver a Deus os dízimos e as ofertas é amar a Deus e ao próximo. Que quando o fazemos, estamos amando as pessoas a quem o evangelho irá alcançar com o auxílio dos nossos recursos financeiros (dos quais Deus nem precisa, mas por misericórdia de nós, nos permite colaborar). Que apenas contribuir com a recolta e com o mutirão de natal é muito pouco!

O mesmo ocorre quando alguém prega sobre Reforma de Saúde. Quem rejeita a mensagem logo acusa que a mensagem é legalista, que é salvação pela soja, e que Deus só pede que amemos. Talvez nunca tenha pensado que se nosso corpo é templo do Espírito Santo, o cuidado para com o corpo é uma forma de amar a Deus. Talvez nunca tenha refletido que cuidar da saúde é uma forma de amar ao cônjuge, poupando-o de preocupações e cuidados com alguém doente, e de amar aos filhos, privando-os de heranças ruins. É uma forma de amar às pessoas que moram em nossa cidade, pois ao invés de sermos um número a mais nas estatísticas ruins do sistema público de saúde, somos instrumentos de Deus para levar saúde a uma sociedade doente. E como as pessoas lá fora ficam felizes quando ensinamos a elas a mensagem de saúde e cura que Deus nos deixou, e elas se libertam de doenças com as quais vinham sofrendo há anos! Viver e pregar a reforma de saúde é uma forma de amar. Falta de amor é ter um conhecimento tão precioso e mantê-lo escondido.

E o mesmo podemos dizer sobre tudo o que Deus requer de nós, todas as coisas que nos deixou reveladas através da bíblia e do Espírito de Profecia, e que hoje, alguns irmãos insistem em chamar de tradições ou meros costumes da IASD. Existe amor em vestir-se e comportar-se com modéstia cristã, em cuidar das entradas da alma ouvindo, vendo e lendo apenas o que Deus aprova, em frequentar apenas lugares em que Deus possa ser glorificado pela nossa presença, em não nos unirmos em jugo desigual… etc.

Querida amiga, nosso coração enganoso, nossa tendência natural para o pecado, nos faz ver restrições naquilo que Deus nos deu como amor. Nos faz proferir “desculpas esfarrapadas”, e até mesmo a reproduzirmos a diabólica lei do Thelema de forma disfarçada, para que possamos continuar na prática do que é mau, do que desagrada a Deus.

É bem verdade que muita gente já foi ferida por irmãos que trataram a verdade com legalismo, e a impuseram de tal forma, ou a usaram de modo tão hostil a ponto de criar em nós alguma resistência à verdade. Durante muito tempo eu resisti à mensagem de saúde por esta razão. Havia crescido com repulsa a uma mensagem que era pregada de forma, inclusive, nojenta (é, porque são nojentas e desnecessárias algumas coisas que se fala quando o assunto é saúde). Mas a falha do mensageiro não torna a verdade menos verdadeira. Isso não faz com que estas reformas não sejam o desejo de Deus para nossa vida. Tudo o que Deus nos pede, toda conduta, toda ação, é uma forma de amar! Vivamos este amor!

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