Benditas madrastas

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“Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” Jeremias 29:11

FamíliaSe existe uma figura estigmatizada dentro das figuras que compõe as famílias esta é a madrasta. As histórias infantis a retratam, com frequência, como alguém má, que por alguma razão conseguiu conquistar o coração do pai, e deste somente.

Lamentável! Conheço madrastas incríveis, verdadeiras servas de Deus, e conheço também mães irresponsáveis e capazes de proferir palavras e fazer coisas que as madrastas que eu conheço nunca falaram ou fizeram. Eu também sou madrasta, e desde que me tornei uma delas, passei a pensar mais sobre o estigma social que existe sobre esta figura. Até então, isto não era um assunto sobre o qual eu pensava, e portanto entendo se você, que não é madrasta, nunca tenha refletido sobre isto.

Junto com os estigmas a que as madrastas estão sujeitas, vêm as comparações que as pessoas fazem entre a nova esposa do papai e a antiga, vêm as provocações e críticas que a antiga esposa faz (quando o marido não é viúvo), vêm a ideia infantil de que a madrasta quer usurpar o lugar da mãe, … e são tantas as situações que se eu pedisse às minhas amigas madrastas que listassem para mim, este post ficaria imenso.

Recentemente me vi percebendo algo que ainda não havia percebido – na Bíblia existem várias madrastas. Então parei para pensar um pouquinho sobre elas. Os nomes de Sara, Raquel e Ana, vieram rapidamente à minha mente.

Sara foi uma madrasta atípica. Se tornou madrasta devido sua falta de fé, e teve que aguentar posteriormente o desrespeito de sua serva (Gênesis 16:4 e 5), devido à sua condição estéril.

Raquel era a esposa amada. Aquela que o marido desejava, por quem ele trabalhou, o amor de sua vida (Gênesis 29:30). Teve que aguentar também as provocações de sua irmã (a esposa mal amada), devido à sua dificuldade de ter filhos.

Ana talvez seja a figura sobre quem mais me emocionei ao pensar. Penina tornava sua vida difícil. Ana também tinha dificuldade de ter filhos assim como Sara e Raquel. Seu marido a amava muito, mas não substituía em sua vida a bênção de ter um filho. Ana não tinha em si um desejo egoísta de ter um filho apenas para silenciar Penina e suas provocações. Imagino que, como muitas de nós, madrastas, Ana deve ter ouvido algumas vezes do lábio de Penina a célebre frase “você diz/faz isso porque não é mãe”, ou “só quem é mãe sabe”. Ellen White escreveu que Penina “escarnecia de Ana em sua condição de mulher destituída de filhos como prova do desagrado do Senhor.” (Patriarcas e Profetas, p. Mesmo assim, com todo mal que Penina lhe fazia, e sob os julgamentos que a sociedade da época tinha sobre aquela que não tinha filhos, o desejo de Ana estava em sentir-se aceita, amada e abençoada por Deus. Por não ser um desejo egoísta, Ana fez o pacto com Deus de entregar seu filho para servi-lo caso Deus a abençoasse com a maternidade. E foi o que ela fez. E, por isto, Israel teve um grande profeta chamado Samuel.

Sabe, querida amiga, Deus olha com carinho para nós, madrastas. Ele não nos vê como o mundo nos vê! Ele sabe como é difícil entrar em uma história que já estava em andamento. Jesus também veio ao mundo e entrou em uma história que já estava em andamento. Teve a desafiadora missão de trabalhar ao lado do Pai em um mundo que aprecia as coisas do Diabo. Ele sabe o que é ser tratado como intruso. Talvez você sofra como Sara, Raquel e Ana sofriam. Mas saiba que se Deus lhe permitiu assumir a nobre função de ser madrasta, é porque Ele tem um plano para sua vida.

Eu entendi, há alguns anos, que ser madrasta era uma forma de Deus aperfeiçoar meu caráter. Alguns textos que li no Espírito de Profecia me fizeram compreender isto. Certa vez, EGW escreveu a uma madrasta de sua época as seguintes palavras:

“Teu casamento com quem é pai se provará uma bênção. … Estavas em perigo de te tornares egocêntrica. Tens preciosos traços de caráter que devem ser despertados e exercitados. … Graças a essas novas relações alcançarás uma experiência que te ensinará a tratar com pessoas. Pelo cuidado com crianças desenvolver-se-ão a afeição, amor e ternura. As responsabilidades que sobre ti repousam em tua família serão o meio de virem a ti grandes bênçãos. Essas crianças poderão ser-te um livro de preciosas lições. Elas te trarão grandes bênçãos se nelas leres bem. A seqüência de pensamentos despertada pelo cuidado para com elas porá em movimento a ternura, amor e simpatia. Embora essas crianças não sejam parte de tua carne e sangue, tornaram-se não obstante tuas, pelo teu casamento com seu pai, para serem amadas, acariciadas, instruídas e auxiliadas por ti.” (O Lar Adventista, p. 270)

Quando nos entregamos a Deus, nada em nossa vida ocorre por acaso. Meu casamento foi escolhido por Deus, literalmente, sob prova de fé. Com o marido que Deus escolheu para mim veio a função de madrasta, e rapidamente Deus me colocou em contato com textos que me fizeram compreender quão importante é esta função. Me deu um marido amado, que me valoriza como mulher, como esposa, como madrasta e como serva de Deus. E eu tenho a alegria de escrever a você hoje, querida amiga que também é madrasta, que Deus deseja fazer desta condição uma bênção em sua vida!

Se Deus a chamou para este papel sinta-se honrada. A despeito do que os outros pensam ou digam, deixe que sua mente se importe apenas com o que Deus pensa sobre você. Apesar de Ana sofrer com as maldades de Penina, era com o pensamento de Deus sobre ela que ela se importava. Sejamos Anas modernas, mulheres virtuosas, que conduzem crianças ao serviço do mestre e são amadas pelo esposo!

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