Um ano após o terremoto… e o que mudou?

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27 DE FEVEREIRO DE 2010 – TERREMOTO NO CHILE. Texto para reflexão – São Mateus 24:36 a 39

Só para entrarmos neste tema, quero começar relembrando uma boa parte do meu relato referente ao terremoto que presenciei aqui no Chile e que tanto chilenos quanto estrangeiros jamais poderiam se esquecer. Era Sexta-feira, 26/02/2010, e tudo estava aparentemente normal. Após realizarmos o culto de pôr-do-sol, Rodrigo (meu esposo) e eu, fomos descansar para irmos ao dia seguinte a Igreja com vigor e alegria, de todo bom cristão.

Fomos acordados às 3:34 horas da madrugada, com intensos e inusitados 3 minutos de eterna aflição, medo, tristeza, choros e pânico com os 7 graus que atingiram Santiago e 7.9 na região de Concepcion, e claro levamos um tremendo susto ao perceber um tremor no prédio capaz de mexer com tudo que estava dentro dele. Meu esposo e eu despertamos assustados e depois de alguns segundos, quando já podíamos sentir a cama se mover e as coisas caindo ao chão, saímos de dentro do apartamento e quase não encontramos o chão. E na medida em que sentíamos este tremor, o mesmo começava a ficar cada vez mais forte e logo podíamos perceber e sentir o prédio balançar igual a uma árvore quando recebe uma forte brisa, e logo saímos para um lugar em que pensamos que estaríamos mais seguros, não nos importando com o que deixamos para trás.

O barulho dos alarmes de carros soando se juntavam aos sons de explosões em postes de energia, ambulâncias, bombeiros e policias que se misturavam com os choros, gritos, e o pânico das pessoas que estavam desesperadas por perderem seus bens pessoais e também pelos entes queridos, se transformando em um côro de imensa tristeza em meio à escuridão total de uma madrugada fria e incerta. Com poucos meios de comunicação, o único que nos ajudava era escutar uma única estação de radio através dos carros e por ela começávamos a escutar o tamanho e a imensidão dos estragos e prejuízos causados pelo terremoto e somente depois de alguns dias podíamos ver pela televisão o verdadeiro pavor e estrago que o tsunami e o terremoto causaram que levou a óbito mais de 900 pessoas.

O que me deu mais tristeza foi perceber que assim como muitos eu não estava tão preparada naquele momento para se juntar aos salvos quando Jesus voltar. Agora, quero fazer uma reflexão sobre decisões que foram tomadas e o que aconteceu com o passar do tempo.

Na hora do desespero e da incerteza do que mais poderia vir a acontecer, comecei em silêncio comigo mesma a questionar e fazer muitas perguntas. Se Jesus estivesse vindo agora, eu estaria salva? Meus amigos no Brasil, minha irmã, meu cunhado e meus pais … que noticias eles teriam de mim se eu morresse agora? Por que me foi tão difícil durante esses anos dizer aos meus pais e minha família o quanto eu os amo e como são importantes pra mim?

Durante toda a minha vida percebi a preocupação de meus pais quanto ao preparo para o grande dia da volta de Jesus. Todo final de ano ,meu pai reúne a família e trás a tona o tema de que mais um ano desponta e de que nós deveríamos estar cada vez mais perto de Jesus e sempre preparado para sua volta. Desde pequena, presenciei pais comprometidos com a causa de Cristo, ajudando nossas igrejas e levando muitas pessoas e jovens aos pés de Cristo. O texto bíblico que me veio à mente foi o de São Mateus 24:36 a 39 e 42, pois meu pai sempre as citava em suas pregações.

Parece que todo esse desespero e terror passaram pela mente das pessoas que vivem aqui no Chile durante este avassalador terremoto, porém para muitos crentes adventistas, uma mudança de hábito começou logo após esse acontecimento. Muitos mudaram seus hábitos diários e isso incluiu alimentação, dedicação à causa, mais tempo para ler a bíblia e fazer oração, presença mais marcante nos cultos, abandono das músicas seculares, fidelidade nas ofertas e dízimos e crescimento de grupos de estudo e oração.

A preocupação com as coisas espirituais cresceu em proporção incrível, enquanto os que não haviam perdido nada estavam completamente sensibilizados e envolvidos em projetos sociais de construções de casas, restaurações de igrejas, praças e obras públicas, além de doarem alimentos e prepararem lanches e sopas para atender milhares de desabrigados.

Passado exatamente um ano pós-terremoto, tudo aparentemente parece ter voltado ao normal, como o sistema de comunicação, supermercados e padarias serem reabastecidos e milhares de casas, prédios, praças, igrejas, pontes, viadutos e obras públicas serem reconstruídos e o país realizar uma fantástica festa comemorando para o bicentenário da independência do Chile em setembro de 2010, porém percebi claramente que a rotina sim voltou ao normal e que ninguém sequer fala mais sobre essa tragédia.

Hoje, as pessoas continuam fazendo suas festas e buscando seus sonhos, a capital do país muito movimentada como sempre, já o homem do campo continua trabalhando mais e mais para poder tirar o prejuízo e as escolas e universidades com maiores investimentos criando novos cursos e os programas televisivos apresentando novas promessas para uma vida completa, plena e segurança financeira.

Enquanto isso, já não é mais necessário tantos mutirões de ajuda para obras sociais urgentes; e relativamente muitas promessas de melhora de vida espiritual e mudanças drásticas em relação à fidelidade, compromisso e cooperação com a obra de Deus vão ficando cada vez mais fria e para o tal amanhã. Fico pensando nas oportunidades que Deus nos concedeu de após esse grande susto, refazer alvos e planos para seguirmos mais junto a Ele e convidá-lo para andar conosco e fazer realmente parte de nosso viver.

Hoje, vejo que as coisas não mudaram tanto, a não ser a preocupação das autoridades do Chile em construir casas e prédios com mais seguranças para suportar a todo tipo de tragédia, incluindo um terremoto.

Muitos de nossos irmãos já não se lembram mais dos compromissos que fizeram na hora do aperto e hoje tocam suas vidas normalmente e como se nada tivesse ocorrido no ano passado e sem pensar no que há de suceder em um futuro bem próximo.

O texto de São Mateus, apresenta o fato do mundo moderno de hoje estar mesmo igual aos dias de Noé, quando os homens comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento e até que veio o dilúvio e levou a todos. A volta de Jesus será um acontecimento que culminará com a concretização de um sonho que realizaremos ao desfrutarmos de um lar eterno sem morte, nem pranto ou dor em um mundo totalmente livre do pecado, porém a respeito da data que deste dia chegará ninguém sabe, nem os Anjos, nem o Filho, senão o Pai.

Muitos acontecimentos terríveis já ocorreram e estão patentes aos nossos olhos e nós ainda estamos vendo tudo isso acontecendo como quase que totalmente incrédulos, e sabemos que muitos aqui no Chile não tiveram uma segunda chance, pois foram levados pelas águas do tsunami ou morreram massacrados debaixo de escombros de prédios.

Finalizo essa reflexão dizendo que independente de muita coisa não ter mudado em quase nada pra ninguém no sentido espiritual devido às pessoas terem memória em curto prazo ou pelo fator de que simplesmente querem realmente apagar e esquecer o que passaram com o terremoto, as perguntas que faço são as seguintes: Vamos esperar algo trágico acontecer em nossas vidas para passarmos por algum tipo de reavivamento e reforma espiritual? Se Jesus viesse hoje como eu estaria? Prontos para subir com Ele para herdar a vida eterna ou prontos para ficar aqui e sofrer a punição e a morte que os ímpios terão que passar?

Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o nosso Senhor.

Pense Nisto, Cristo Vem! Prepara-te!


Dieniffer Iglesias Muñoz

Membro da Igreja Adventista Central de Santiago – Chile

Obrigada Dieniffer, por dividir conosco essa experiência!! Deus continue abençoando seu lar!

1 Comentário


  1. Eis ai um grande momento para uma reflexão profunda, pois as calamidades estão acontecendo a cada instante e centenas de mortes cruéis ocorem a todos os minutos do dia com estupros absurdos, assassinatos sem qualquer razão de ser,acidentes de carro, trem, barcos e avióes, além de catastrofes naturais como enchentes, terremotos, deslizamentos de terra, tsunamis e outros…As minhas perguntas sáo: Porque achamos que essas trajedias podem acontecer com todo mundo ou em qualquer lugar, mas não comigo e minha família? O que acontece hoje com os fieis que parecem viver em estado de inercia? O que falta de verdade para cada um de nós tomarmos uma decisáo séria ao lado de Jesus?
    Valeu Dieniffer pelo seu depoimento,Oro para que Deus continue a guiar vossa vida…Papai

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