“Infantilização” da Criança x Pequenos Adultos

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Falar em “infantilização” da criança parece ser redundante, afinal de contas, as palavras “infantil” e “criança” parecem soar bem quando usadas juntas. Contudo, não é porque as crianças estão vivendo o período da vida que denominamos infância, que elas precisam ser “infantilizadas”.

A infância é um período muito dinâmico da vida do ser humano. Iniciamos esse período sem saber andar e falar, e saímos dele sofrendo uma explosão de hormônios – a puberdade. Fantástico isso! Assim como nossas habilidades e nosso organismo se transforma ao longo desse período, nossa maturidade também vai sendo elaborada neste mesmo tempo. É aqui que entra a questão da infantilização.

Muitas crianças são educadas, ou criadas, como se fossem eternos bebês. Os anos vão se passando, as mudanças físicas do organismo ocorrem, mas a maturidade parece se desenvolver a passos de tartaruga. Muitas vezes, a própria mãe (ou o pai) é um adulto imaturo ou infantil. Outras vezes, a pessoa que cria a criança sente a necessidade de ter para sempre seu bebê, seja por um trauma, uma perda, ou até mesmo o medo de uma possível perda, e esquece que aquela que um dia foi um bebê, é agora uma criança que em breve já será um jovem e futuramente um adulto. Com isso, alguns jovens chegam à maioridade completamente infantís e imaturos. São carentes dos paparicos de que foram fartos na infância mas que, na atual idade, a sociedade não os permite mais ter. Alguns chegam inclusive a recusar a idade que têm, não se envolvendo com outros jovens, mas brincando com crianças, vestindo-se como criança, e agindo como criança.

Outra situação, que se encontra no extremo oposto a esta “infantilização”, é a formação de pequenos adultos. Esta é uma moda de nossos dias atuais. Já parou para reparar as roupas que são confeccionadas atualmente para as crianças? Parecem miniaturas das roupas dos adultos. Além disso, os programas infantís estão, cada vez mais, inserindo aspectos do mundo adulto em seu conteúdo, como namoro ou relacionamento entre homem e mulher, contudo, entre crianças.

Muitos pais criam seus filhos como pequenos adultos. Geralmente essas crianças vivem num ambiente que possui muitos adultos e poucas crianças para se relacionar. É com os adultos que elas conversam, brincam e convivem, e é com seus assuntos e problemas que elas se envolvem desde cedo. Uma mãe, por exemplo, quando perde o marido (por divórcio ou falecimento), pode fazer de sua filha uma pequena adulta, com quem ela dividirá a sua dor, e até mesmo procurará conselho. Digo isso baseada em minha experiência com atendimento a crianças e pais, ao longo de minha graduação. Este é apenas um exemplo de como um adulto pode roubar da criança a infância, inserindo ela rapidamente num universo ao qual ela não pertence.

Educar uma criança e cuidar dela é uma responsabilidade muito grande. É preciso sabedoria e equilíbrio (principalmente emocional) para cumprir com essa responsabilidade! Um pai pode prejudicar o futuro de um filiho por fazer dele um eterno bebê, dependente emocionalmento do afago e da atenção alheios. Mas, pode também roubar a infância de uma criança ao exigir dela que viva a vida, encarando o mundo adulto como se fosse o seu próprio mundo! Que Deus nos conceda sabedoria para sermos bons pais!

1 comentário


  1. Gostei muito desse assunto.
    Já havia pensado que muitos dos problemas de saúde das cças são de ouvir o que os adultos dizem sentirem, como: dor de cabeça, estress, falta de ar, nervoso. As cças acabam captando nossos sentimentos,nossa conduta diaria.
    Parabéns!!!

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